Oi, queridaaaa!!!
A mudança não foi. Quer dizer: eu me mudei, mas não tenho casa!
Estou temporariamente na casa da minha tia, em Búzios, mas as crianças estão estudando em Cabo Frio que fica a uns 25/30 km. As meninas de manhã: a Paula acorda as seis, leva na escola e volta para Búzios (50km, uma hora no carro). O Theo estuda a tarde: a Paula leva na escola, busca as meninas e volta para Buzios (55 km + trânsito, uma hora e meia no carro). O Theo volta para casa às 17h30: a Paula busca (50 km + trânsito, uma hora e meia no carro). Nos intervalos, a Paula trabalha para a Teresa Perez Tours via internet, vai ao supermercado, procura casa em Cabo Frio, enlouquece, chora e etc. (cabeleireiro, neca). Antes de buscar o Theo, dá um mergulho no mar com uma das filhas com a felicidade estampada na cara. Às 11 da noite, a Paula desmaia e dorme o sono dos justos, pensando que o tempo que passou com os filhos naquele dia não tem preço e que fez a coisa certa.
Estou feliz, sabe, Ana. Deus me ajudou a dar esse passo e agora está testando a minha resistência. Não gosto de mosquito, muito menos de aranha. E na casa onde estou morando tem bastante. Não gosto de cobra e na casa onde estou morando, de vez em quando aparece uma. Não nasci para viver no meio do mato e a casa onde estou morando é cercada de mato e areia. Antes do carnaval, será impossível mudar para Cabo Frio, pois as casas estão disponíveis apenas para aluguel de temporada. Mas eu estou feliz! Tomando as rédeas da minha vida e da minha família de novo, depois de 4 anos. E parece mais que é a primeira vez... Adoro lavar roupa, cuidar das coisas das crianças, inventar o menu... ser adulta! Mas tenho estado muito chata também. Resultado de um cansaço inacreditável. Estou bronzeada e cheia de picadas pelo corpo inteiro. Durmo exausta, mas tenho meu marido na cama do meu lado e da janela vejo a lua. Não está bom? Bom, pelo menos é poético, você vai ter que admitir.
As crianças estão felizes. Muito mais do que eu imaginei que seria possível. Minha mãe deve estar um caco, mas neste momento não dá pra eu pensar nela. Embora tenha saudades, muita...!
A escola é legal, estou simpatizando com Cabo Frio. Claro que tem o choque cultural: meus filhos vão falar carioqueish, torcer pro Flamengo, pegar onda, viver de chinelo... Eu nunca vou ter que ir correndo pro Iguatemi para ver se acho uma roupa nova pra festinha de 15 anos, não vou levar na matinê do Paulistano, nem identificar raízes com a mãe do primeiro namorado. Já voltei a chamar encanador de bombeiro, mandioquinha de batata baroa e a me desesperar porque nunca sei se coxão duro é chã de dentro ou chã de fora. E quando a caixa do supermercado me chama de “querida” eu até sorrio. Mas ainda chamo o gerente do supermercado (que não, não é o Pão de Açúcar) para quebrar o pau por que o frango está descongelado no frizer, o iogurte está vencido e etc...
Estou feliz! Vivendo a vida real da maneira como posso e como decidi vivê-la.
São cinco horas, tenho que tocar para Cabo Frio e buscar o Theo. Quanto ao biquíni da Clara, não se preocupe. Quando você vier me visitar na minha casa nova em CABO FRIO sem cobras e aranhas, mas certamente com muitos mosquitos, você trás um de presente para ela.
Beijos, beijos, beijos! Em março vou para SP, quem sabe a gente consegue se ver!
Paula
Paula Junqueira Colesi
Búzios, fevereiro de 2009
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Memória da terra
Gosto quando chove na hora do almoço e a tarde fica mansa e cheirosa, pra eu andar preguiçosa, por entre as casinhas sem cor.
Gosto do cheiro do mato molhado, cheiro de poesia que sobe do chão.
Gosto de sentar quietinha no banco gasto da capela amarela, onde passarinho cisma fazer ninho.
Gosto de ver o sol se metendo pelo meio das telhas, desenhando com luz o chão de vermelhão.
Gosto de rezar.
E depois sentar na escadinha pra ver o resto da água despencando das árvores e o dia mudando de cor, adivinhando se vai ter lua branca ou amarela.
Gosto de ficar ali, bem no meio do mundo, onde faço promessas e meus desejos vão sendo realizados, um a um.
Paula Junqueira Colesi.
Primavera de 2006.
Gosto do cheiro do mato molhado, cheiro de poesia que sobe do chão.
Gosto de sentar quietinha no banco gasto da capela amarela, onde passarinho cisma fazer ninho.
Gosto de ver o sol se metendo pelo meio das telhas, desenhando com luz o chão de vermelhão.
Gosto de rezar.
E depois sentar na escadinha pra ver o resto da água despencando das árvores e o dia mudando de cor, adivinhando se vai ter lua branca ou amarela.
Gosto de ficar ali, bem no meio do mundo, onde faço promessas e meus desejos vão sendo realizados, um a um.
Paula Junqueira Colesi.
Primavera de 2006.
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